Sem dúvida o Finale é um programa poderoso e maravilhoso, que conquistou seu espaço com méritos. Este texto não tem nenhuma intenção de travar árduas batalhas cibernéticas como “PC vs. Mac” , “Finale vs. Sibelius”, “Cubase vs. Pro tools”, “Motorola vs. Nokia” etc.

Porém, a pergunta mais recorrente é sempre:

Cristiano, mas porque você optou por trabalhar com o Sibelius ao invés do Finale?

E aqui vai a resposta rápida: a impressão que dá é que os desenvolvedores do Sibelius realmente utilizam os próprios produtos, por conta da maneira que lidam com cada função.

É também a empresa que busca integrar o programa ao estúdio, o que para meu perfil como produtor musical é fundamental. Por exemplo, Sibelius tem suporte a Rewire, possibilitando assim rodar lado a lado com o Pro Tools, Nuendo, Cubase ou qualquer outro software de gravação profissional. No Finale ainda não temos esta opção (até a data deste texto), e para meu perfil, já finaliza a questão. (*Se você é um arranjador ou compositor, é algo menos importante)

A Sibelius pertence agora a Avid, empresa que também detém a Digidesign – fabricante do Pro Tools. Então podemos supor que cada vez mais , estes produtos vão interagir melhor.

Acrescento ainda que em todos os setores que tentei contactar, fui muito atendido. Desde o gerente geral passando pelo projetista e o desenvolvedor de cursos oficiais. Consegui falar por exemplo, com o desenvolvedor de cursos para me ceder as apostilas dos cursos oficiais da Sibelius que eu demoraria meses para formatar.

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Abaixo vou transcrever algumas passagens do texto do Daniel Spreabury sobre os dois programas e algumas de minhas observações. Ao final do texto, traduzi alguns depoimentos feitos sobre ex-usuários de finale.

Sibelius dita o ritmo, Finale acompanha.

  • As inovações mais significantes nos programas de notação musical na ultima década foram desenvolvidas pelo Sibelius. O Finale tem apenas se atualizado e acompanhado o ritmo do mercado sem oferecer genuinamente novo.
  • ex1: Dynamic Parts: No Finale, chama-se linked parts e foi apenas lançado um ano após o Sibelius. Ainda assim, existem muitas funções que são triviais que o finale ainda não incorporou ou não são nada fáceis. Mover numeração de compassos da part independente da partitura por exemplo. Ou ainda, se você quiser copiar o mesmo layout de uma part para todas as outras, no Sibelius você tem botão pra isso e no Finale você precisa comprar um plug-in separado.
  • ex2: Salvar em audio e suporte a instrumentos virtuais: Sibelius lançou essa função 1 ano antes do Finale.
  • ex3:  Video Suport: Mesma coisa que o item anterior
  • ex4: Adicionar um arquivo de audio: Esta função foi lançada pelo Finale com 2 anos de atraso comparado ao Sibelius.
  • ex5:  O método Simply entry foi desenvolvido no Finale em 2004, baseado 100% no método já existente no Sibelius. (O que é uma otima notícia, pois quer dizer que se usa Simple entry no Finale, você não terá dificuldades com o Sibelius.)
  • ex6: Stacks: Finale 2008 apresentou muitas melhorias na ferramenta de seleção, facilitando muito a maneira de copiar e colar passagens de música. Porém, o Sibelius já fazia algo bem similar desde a versão 1.0, quase 10 anos antes do Finale. (SIM, 10 anos antes!)

E vamos ficar por aqui pois você não teria paciência de ler tudo, nem eu de escrever.

Nem sempre…

Não estou querendo dizer que o Sibelius está sempre a frente. Mas na maioria das vezes sim, e como um entusiasta da tecnologia isto me interessa muito. Gosto de mentes criativas, desenvolvedores ousados e que demonstram gostar do que fazem.

Por exemplo, Finale introduziu a visualização chamada “scroll view” antes que o Sibelius. Um ótimo conceito, mas esquecido no tempo, sem nenhuma melhoria até hoje.

O Sibelius ao lançar na versão 5 a ferramenta similar chamada Panorama View, estabeleceu um novo padrão.  Os espaços entre as parts eram independentes do “page view”, que resolve um programa muito comum que os usuários de Finale sofriam. Um espaçamento vive estragando o outro o que consume mais tempo para preparar a impressão.

Recursos Únicos

Não gostaria de perder muito tempo falando das características únicas do Sibelius pois o texto vai se tornar ultrapassado algum dia (já que atualizações servem pra isso mesmo). Mas para não deixar em branco, temos: (*obs: o texto ainda não está atualizado para a versão 6)

  • A possibilidade de publicar e vender sua música online com Sibelius Scorch
  • Os arquivos salvos podem ser abertos com qualquer versão do Sibelius.
  • Paste as cue em poucos segundos comparado aos infinitos comando necessários no Finale.
  • Copy/Paste instantâneo usando o Alt e clicando onde quer colar.
  • Ideas Hub: Uma central com ideias, paterns que você pode guardar para utilizar em outros projetos.
  • Instrument change: Se a clarineta tem que trocar por algum clarone em determinado trecho da música, escrevendo uma troca de instrumento também altera o som e tudo mais na mesma part.
  • Worksheet creator: Mais de 1700 exercicios prontos com gabarito que podem ser feito para seus alunos sem custo nenhum. Quer mais? No site você acha outros milhões.

Trabalhando com computador, e não brigando.

Os atalhos de teclado são algo que dou muito valor. Estou sempre em busca de maneiras para melhorar minha produtividade. E os do Sibelius são extremamente intuitivos. Nada de crtl+alt+x+shift+botao direto etc..etc…

  • Quer um Time Signature? Digite T.
  • Quer um Slur? digite S.
  • Quer um harpin? digite H
  • Quer uma Linha? digite L
  • Quer um Key signature? digite K
  • Adidionar instrumentos? digite I
  • Zoom in e out? Use o clássico Crtl + e Crtl -. Se quiser voar mais longe, mantenha apertado o Crtl e role com seu mouse wheel para ter uma ótima surpresa.

E se você não estiver satisfeito, boa notícia. Todos os atalhos são configuráveis.

“E os plug-ins?”

O Finale parece ter bem mais plug-ins disponiveis. Mas não passa de impressão, pois a grande maioria dos plug-ins do Finale são funções já incorporadas no Sibelius. Por exemplo:

  • Patterson Beams Plug-in é utilizado no Finale, pode ser comparado com a função Optical beams no Sibelius, o que pra melhorar é automatico.
  • Score merger no Finale, é o plug-in utilizado para juntar varios arquivos em um. No Sibelius, isto é algo trivial de se fazer utilizando o comando “append score” no menu file.
  • O Create Coda System plug-in introduzido no Finale 2006 é utilizado para dar um espaço entre a música e o Coda final. No Sibelius, é algo facilmente alcançado utilizando a função Spliut System no menu Layout.
  • Finale não tem um sistema de text styles embutido com o Sibelius. Se quiser alterar suas fontes no Finale, você terá que recorrer ao plug-in change fonts.
  • Finale não consegue disernir entre apooggiaturas e acciaccaturas corretamente, por exemplo com um pequeno risco na haste da nota. Você vai precisar de um plugin para isto ou definir sua própria expressão, enquanto no Sibelius você create de maneira apropriada com o KeyPad.
  • Finale não tem ferramentas prontas para produzir tremolos de 2,4,8 ou 16 notas então é necessário utilizar um plug-in chamado easy tremolos. No Sibelius simplesmente adicione o que o quer pelo Keypad e boa viagem!

Resumidamente, os plug-ins do Sibelius são exclusivamente para fazer coisas divertidas e interessantes. Não para produção de notação musical convencional. Lembrando que o Sibelius vem com mais de 130 plug-ins, e ainda conta com mais 200 online para download de graça.

“E na hora de publicar? Finale não é o padrão?”

Já ouvi muito, e posso afirmar não ser a realidade. Não mais. Editoras como Boosey & Hawkes, Schott, Peters Edition, Henle, Hal Leonard, Music Sales entre outros utilizam tanto Finale quanto Sibelius.

Você já deve ter ouvido que o Finale é o programa que permite os mais meticulosos ajustes a partitura. Também não passa de um boato. O Sibelius sabia que para entrar no mercado, a primeira coisa que eles deveriam oferecer era uma capacidade extrema de ajustes.  E sem dúvida, tudo está feito. Abra seu Sibelius e veja tudo é “arrastável”. Tudo mesmo!

“Mas ouvi dizer que na indústria do cinema e musicais, Finale é quem manda…”

Já ouvi muito falar que em Hollywood só dá Finale. Novamente, um mito sem fundamento. A maioria dos filmes mais premiados de hollywood e broadway tem sido feitos no Sibelius. Exemplos:

Acredite, aqui só tem uns 50% do texto original. Mas como falei no princípio, aqui relatei apenas alguns fatos concretos, para tentar deixar a opinião de lado.

Alguns comentários sobre ex-usuários de finale:

obs: Nenhum destes comentários foram solicitados. Pessoas citadas abaixo não tem qualquer relação com a Sibelius, Avid ou este site.

“Eu era um destes que, por pura ignorância costumava a desdenhar o Sibelius sem ao menos ter testado a versão demo… Depois de usar Sibelius por algumas semanas para me adaptar as diferenças, eu simplesmente não consigo me imaginar voltando ao Finale.“John Melby
(Emeritus Professor of
Composition/Theory, University of Illinois)”Eu considero uma das coisas mais frustrantes de toda a minha vida os dois meses em que gastei tentando aprender Finale. Sibelius foi feito para pessoas como eu, que pensam como músicos, não como nerds.“Mary Lycan
(Treble Clef Music Press)

“Eu usei Finale regularmente até Sibelius aparecer. Em torno de uma hora depois de ter instalado o Sibelius, eu sabia que nunca mais ia querer usar Finale novamente. Tarefas que costumavam demorar um dia no Finale podem ser ser feitas em algumas horas no Sibelius.”

Richard Hubbard
arranger and lecturer

“Eu mudei (do Finale para o Sibelius) e não pretendo voltar. Usei Finale por anos e a maioria do que material que tenho escrito está em Finale. Mesmo assim, não tive problema nenhum em me adaptar a mudança.

Assim que eu terminar de converter meus trabalhos em Finale, vou desinstalar Finale do meu computador pra sempre!”

Joe Thrower
choir director

“Usei Finale por aproximadamente 10 anos, mas uma primeira olhada no Sibelius eu mudei e não me arrependo até hoje.

O estado de Illinois comprou Sibelius para para todos nossos computadores. Nossos alunos (que eu ensinei Finale ano passado) estão impressionados com o poder e a facilidade de utilização do Sibelius”

Stephen Taylor
music professor, Illinois State University

“Eu sou um usuário de Finale de longa data que estou tentando aprender Sibelius… E me parece como a libertação de uma tirania da escrita musical que estava nos aprisionando por anos”

Scott Foglesong
professor,
San Francisco Conservatory of Music

“Eu venho usando Sibelius por apenas duas semanas, e já estou convencido de que é bem melhor que Finale.

Michael Gurt
piano professor, Louisiana State University

“Eu sempre travei batalhas com o Finale – Nunca me senti realmente a vontade com ele – Mas era considerado o melhor software para publicação do mercado. Eis que um amigo editor me convenceu a experimentar o Sibelius e até hoje sou um “convertido”.Eu gostaria de acrescentar que eu nunca perdi a chance de dizer a outros musicos como o Sibelius trabalhava bem e como era fácil de se usar. Eu não acredito que nenhum software seja realmente “intuitivo”, mas Sibelius corre muito atrás disto e sem dúvida satisfaz o marketing de ser “o mais intuitivo”. Obrigado por essa maravilhosa ferramenta!”Mark Carlstein
Pianist and composer

“Eu marido é um usuário antigo de Finale e constantemente fica “endeusando” o Sibelius, me falando sobre os inúmeros passos que ele teria de dar no Finale para fazer algumas coisas que no Sibelius é feitocom apenas um click.

Eu perguntei para ele se ele reparou em alguma coisa que o programa não faça para ele, ele fica balançando a cabeça e dizendo: Não, desta vez eles pensaram em tudo mesmo!'”

Kathryn Struzik
clarinettist

“Eu acabei de tentar o novo update do Sibelius que permite converter arquivos do Finale para o Sibelius. E Funciona! Obrigado, agora preciso ir pois quero converter minhas partituras, ver no Sibelius e dizer “Até logo Finale!”

Tom Price
composer, arranger and conductor

“Sim, eu mudei do Finale para o Sibelius. E senti como se tivesse traindo um velho amigo. Mas era um amigo realmente VELHO!

A primeira coisa chama atenção a um Finale-User é a falta de comandos. E eles não estão lá porque você não precisa deles. A formatação é algo que o Sibelius já faz muito bem. Na verdade ele possibilita que trabalhemos, ao invés de ficar configurando.

E quer saber? Criar uma partitura do zero é simplesmente uma diversão!”

Isin Metin
composer

“independentemente do seu nível como iniciante ou profissional, Sibelius é o caminho a seguir

Buster Williams
composer and jazz musician